A Cidade

Porto Real do Colégio é um município brasileiro do estado de Alagoas. Sua população estimada em 2007 era de 17.947 habitantes.

O povoamento de Porto Real do Colégio remonta aos meados do século XVII. Diferentes tribos de índios, entre estas as Tupinambás, Carapotas, Acoranes ou Aconãs e Cariris habitavam a região. Elas viviam da caça, pesca e da lavoura. Os bandeirantes da Bahia em demanda no Nordeste que desciam o rio São Francisco em companhia dos padres jesuítas, encarregados da catequese dos “gentios”, foram os primeiros civilizados a pisar o aldeamento que ficava à margem do grande rio, deixando aí o primeiro marco da civilização. Conta-se que esses bandeirantes e jesuítas adquiriram na referida região uma extensa faixa de terra a qual denominaram-se “Urubu-Mirim” para diferenciar de Urubu, hoje Propriá. Os jesuítas conseguiram aos poucos fixar as tribos indígenas nos arredores da sede, apesar das lutas travadas entre os Cariris, os Aconãs e os bandeirantes recém chegados à região.

Os jesuítas erigiram na povoação, no cimo de uma colina, uma capela rústica sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, em torno da qual começou a florescer o novo núcleo populacional. Nos meados do século XVII fundaram um convento e um colégio em frente a capela, hoje matriz de Nossa Senhora da Conceição, do lado sul da margem esquerda do rio São Francisco. Neste colégio, diz Pedro Paulina da Fonseca, no seu livro “Conventos em Alagoas”, ensinavam-se línguas; entre elas o latim.

De um modo geral, o povoamento de Porto Real do Colégio foi resultado da fusão das três raças que colonizaram o Brasil, o branco desbravador; o negro, elemento próprio para o trabalho agrícola e o índio, dono da terra. O nome verdadeiro deveria ser Colégio do Porto Real, pois o povoamento se originou do Colégio dos jesuítas que tinha o nome de “Real”. Há mesmo documento onde lhe é dada aquela denominação, como é o caso de Lei Nº 702, de 19 de maio de 1875, onde o vice-presidente da província das Alagoas, bacharel Felipe de Melo Vasconcelos, no artigo 1.º da citada Lei, diz, “fica criada a freguesia de São Brás desmembrada do Colégio do Porto Real…”

Aspectos gerais

Município - Apresenta área de 2372 e limita-se com os municípios de Feira Grande São Sebastião, Igreja Nova, São Brás, Olho d'Água Grande, Campo Grande e rio São Francisco. Apresenta as povoações de Barra de Itiúba, Tapera de Itiúba, Girau de Itiúba, Maraba,Marabinha, Canoa de Baixo, Canoa de Cima, Carnaíbas, Salomezinho, Tucuns, Boqueirão, Entrada, Retiro, Pau da Faceira, Gila, Belém, entre outros.

Em 1890 havia 7.497 habitantes, passou em 1996 a 17.557 habitantes sendo 8.609 homens e 8.948 mulheres.

A principal bacia hidrográfica que corta o município é o rio Itiúba, que deságua no rio São Francisco. Junto a este, entre as inúmeras lagoas que possibilitam o plantio do arroz estão: Mucambo, Caldeirão, Prata, Cangote, Saldanha, Porto e Enxada. Esta bacia marca as mudanças da Zona do Agreste para a Zona da Mata e o Baixo São Francisco. Seu vale se mostra bastante úmido, mas com os desmatamentos modificou o quadro climático e a paisagem natural. Seu relevo está esculpido nos tabuleiros por erosão das chuvas. Alguns povoados ficam à sua margem: Girau, Angico, Itiúba. Às margens do São Francisco, suas formas meandrícas indicam sua quase horizontalidade na declividade e muitas ilhas. o vice-prefeito de porto real de colegio era chamado popularmente de Neno Herculano,porém seu nome verdadeiro é Edson Alves da Rocha.

Economia

A agricultura de subsistência consiste na produção de arroz, milho, feijão, mandioca e uma pequena produção de cana-de-açúcar, além de fumo. A pecuária consiste em gado, ovinos, suínos, caprinos. A pesca está em redução. Há também a produção de cerâmica rudimentar (potes e panelas), arte realizada pelos índios Kariri-xokó que vivem na Colônia Agrícola da União e na Fazenda Modelo.

Turismo

Patrimônio histórico e artístico

  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição - não se sabe ao certo o século da fundação. De valor artístico e histórico, as imagens de Nossa Senhora da Conceição (padroeira), Jesus Crucificado, Santo Antônio, São José e São Vicente estão nos principais altares do interior do templo.
  • Conjunto arquitetônico da praça Rosita de Góes Monteiro - onde estão situadas a Cadeia Pública, Casa Paroquial, Prefeitura e outros casarões em estilo colonial, alguns se transformando em ruínas.
  • Conjunto arquitetônico da antiga Rede Ferroviária - formado pela estação e armazéns.
  • Coreto - da praça Rosita de Góes Monteiro.

Patrimônio natural

  • Rio São Francisco e ilhas fluviais.

Potencialidades turísticas

Porto Real do Colégio tem no rio São Francisco o seu maior potencial para o desenvolvimento do turismo. Os passeios de canoas à vela ou motor, as praias formadas pelas coroas da areia no leito do rio, a visita à aldeia Kariri-Xocó, onde os índios praticam danças tradicionais como o Toré e desenvolvem o artesanato em barro, coco, madeira e ossos são as grandes opções do município.

Artesanato

  • Madeira - artesanato indígena da aldeia Kariri-Xocó (cachimbos peças decorativas e enfeites);
  • Coco/Semente/Osso - peças decorativas, enfeites e adornos (indígena);
        Linhas/Bordados/Tecidos - redendê, ponto de cruz e crochê;
  • Palha - peneiras, vassouras, espanadores;
  • Cipó - balaio, cestos, armadilhas de pesca;
  • Barro - cerâmica indígena pintada com "Tauá" (espécie de calcário utilizado nas pinturas de potes, moringas, pratos e panelas).

Artes plásticas - Os artistas mais conhecidos na cidade são:

  • Múcio Neimayer (telas e caricaturas)
  • Orlando Santos (trabalha com óleo sobre tela, tem no Cubismo sua maior característica, reside atualmente em Maceió)
  • Antônio Jorge Maia (pintor, escultor e arquiteto, já falecido)
  • Antônio Januário (escultor e pintor, autor da bandeira do município, já falecido).

Folclore - Folguedos e danças - Danças indígenas, coco e quadrilhas juninas.

Poesia - Ronaldo Pereira de Lima.

Música - Múcio Neimayer.

Lendas

A lenda mais conhecida é a do "Nego d'Água", que assusta os pescadores com o objetivo de proteger os peixes do rio.

Religião/cultos

Predomina o catolicismo, com a realização de missas, novenas, terços, procissões e festas religiosas. Os cultos evangélicos e afro-brasileiros fazem parte da religiosidade da população.

Gastronomia

  • Comidas Típicas - Peixada; Buchada de bode feita Dona Adalgisa e Nóia, famosas cozinheiras da Cidade.
  • Outras - Tapioca, pé de nego, arroz doce, mungunzá, bolos e doces.